terça-feira, 5 de abril de 2016

Covardia.

Existia algo além da vista da sua janela. E ela sabia disso, pois ficava imaginando que além daquele muro, qual a separava do resto do mundo, existia uma realidade diferente da sua.
Ela sonhava, todos os dias, em fugir pela janela. Sair correndo. Pegar um ônibus, um taxi, um trem. Ir atrás dos desafios que o desconhecido lhe proporcionaria. Mas não ia.

Ficava parada.
Apenas realizando ações em seus pensamentos. Criava histórias e expectativas para quando fosse viver a vida real.
Ela não ia.
Não tinha coragem o suficiente e tinha consciência desse seu defeito, ou medo. Ao olhar-se no espelho, dizia: COVARDE!
Muitos foram os que a convidaram para desbravar as terras longínquas, para conhecer os mistérios os mistérios do mar. Contudo, ela não tinha coragem de sair.
Sentia-se presa aos pés da sua cama e ao conforto do seu colchão.
E assim o tempo passou e ela morreu.
Veio a óbito acomodada em seus lençóis de cigana e sem despertar para realizar os seus tantos sonhos.


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