segunda-feira, 21 de maio de 2012

A princesa.

Era uma vez uma menina linda, inteligente e bem humorada. Pelo menos, todos ao seu redor diziam isso. Só que ela não acreditava nisso. É que ela tinha um espelho mágico pra quem perguntava se ela realmente era assim como as pessoas falavam. Mas, ele sempre dizia que não. Que ela mais parecia uma bruxa do que uma princesa. E a menina se trancava em suas lágrimas e se perguntava: Por que as pessoas mentem pra mim?
Essa menina era muito sonhadora. Chegou a construir um castelo de nuvens para viver. Acreditava em magia, em contos de fadas e em príncipes encantados. Mas, como o seu espelho era muito malvado e a manipulava. Ela não conseguia perceber que era uma princesa.
Ela era legal, vivia sorrindo. Mas, dizia nas cartas que escrevia que enquanto seu rosto estampava um sorriso, seu coração chorava lágrimas de sangue.
A menina sabia que tinha que ser forte.
Ela era tão sonhadora que vivia se apaixonando por gente da TV, vê se pode uma coisa dessas.
Eu cheguei a conhecer essa menina. Várias vezes eu a mandei quebrar aquele maldito espelho que controlava a vida dela e disse que ela deveria sair um pouco desse mundo de imaginação.
Mas, a princesinha nunca me ouviu.
Até que um dia, cansada de se ver como uma bruxa que espera o príncipe encantado, ela resolveu quebrar o espelho.
Pensei que a partir daquele momento ela iria se libertar e ser feliz, como nos finais dos contos de fadas.
Mas, tive uma surpresa.
Com os restos do espelho ela cortou-se, machucou-se e morreu.
Colocaram-na num esquife de vidro. Ela era tão bonita, mesmo morta.
E pensamos que talvez pudesse aparecer um príncipe e, bummm, acontecerá igual à história da Branca de Neve.
Os anos passaram e nenhum príncipe apareceu.
É triste, mas a menina morreu igual a uma princesa. Linda e iludida.

terça-feira, 15 de maio de 2012

Janela da vida.


Os passarinhos na janela.
As gotas de chuva no chão.
O cheiro da terra molhada.
O gosto doce da paixão.
Olhei para a bolha de água no galho.
Vi a estrela mais fria.
Li o conto.
Ouvi a música.
Vivi minha eterna poesia.

quarta-feira, 9 de maio de 2012

Essa menina parada.


Estava ela ali parada. Com seu vestido rodado rosa, sua cor favorita. Um vestido bonito, de dar inveja em qualquer uma. Mas, ela estava parada. Com suas luvinhas de pelica e seu sapatinho tão lindo como o de cristal. Inerte. Só o que mexia eram suas longas madeixas que sempre se desarrumavam mais com as rajadas de vento.
Uma menina tão bonita só olhando a vida. Assistindo a tudo o que passava sem fazer nada. Tola menina. Ali parada. Já disse pra ela, até mandei, tirar essa roupa de festa, colocar uma bermudinha e uma camiseta, calçar os tênis, amarrar os cabelos e ir brincar com as outras crianças. Viver ativamente. Mas essa menina não me escuta.
Será que além de morta ela está surda?

terça-feira, 8 de maio de 2012